
(Do livro, JESUS, O FILHO DO HOMEM, Gibran Khalil)
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Ele era como os álamos a bruxulear no sol;
E como um lago por entre as colinas solitárias,
Brilhando ao sol;
E como a neve sobre as altas montanhas,
Branca, branca ao sol.
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Sim, Ele era como tudo isso,
E eu O amava.
Embora eu temesse Sua presença,
Meus pés não podiam suportar meu fardo de
quebrantamento
Para que eu pudesse envolver Seus pés com meus braços.
Eu teria Lhe dito:
“Eu matei Teu amigo em um momento de paixão.
Perdoarás meu pecado?
E não absolverás, em Tua misericórdia, minha juventude
De seu cego agir,
Para que possa seguir em Tua luz?”.
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Eu sei que Ele teria perdoado minha dança
Pela santa cabeça de Seu amigo.
Sei que Ele teria visto em mim
Um objeto de Seu próprio ensinamento.
Pois não havia vale de fome que Ele não pudesse atravessar,
E nem deserto de sede que não pudesse cruzar.
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Sim, Ele era como os álamos,
E como os lagos entre as montanhas,
E como a neve no Líbano.
E teria eu refrescado meus lábios nas dobras de Sua veste.
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Mas Ele estava longe de mim,
E eu andava envergonhada.
Minha mãe segurou-me para trás
Quando o desejo de buscá-Lo se apossou de mim.
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Sempre que Ele passava,
Meu coração ansiava pela formosura de Seu olhar distante e perto,
Mas minha mãe franzia-se em desdém,
Afastava-me da janela, e eu ia
Para meu quarto de dormir.
E ela gritava alto, dizendo:
“Quem é Ele, senão outro comedor de gafanhotos do deserto?
O que é Ele senão um zombador e um renegado,
Um sedicioso agitador que nos roubaria o cetro e a coroa,
E convidaria as raposas e os chacais de Sua terra maldita
A que uivassem em nossas salas e sentassem em nosso trono?
Vá esconder tua face desse dia,
E espera pelo dia em que Sua cabeça caia,
Mas não na tua bandeja”.
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Estas coisas minha mãe dizia.
Mas meu coração não guardava suas palavras.
Eu O ansiava em segredo,
E meu sono era povoado por trevas.
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E agora Ele se foi.
E algo que havia em mim também se foi.
Talvez tenha sido minha juventude
Que não queria demorar-se por aqui,
Desde que o Deus da juventude foi morto.
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